Outubro de 2026 chega com um céu repleto de encontros planetários, chuvas de meteoros, passagens de cometas e belas aproximações entre a Lua e alguns dos objetos mais interessantes do céu.
Saturno estará em oposição, Marte atravessará o famoso aglomerado do Presépio, Mercúrio alcançará sua maior elongação oriental e as Oriônidas voltarão a riscar o céu. Além disso, outubro reserva uma ocultação lunar de Antares visível em uma faixa do sul do Brasil, a oposição do asteroide Vesta, a Lua do Caçador e boas oportunidades para observar os cometas 10P/Tempel 2 e 161P/Hartley–IRAS.
E logo no início do mês acontece um dos encontros mais impressionantes: na madrugada de 6 de outubro, a Lua passará extremamente perto de Júpiter e, em determinadas regiões do planeta, chegará a escondê-lo completamente.
Para observadores no Brasil e em Portugal, outubro também oferece excelentes oportunidades para acompanhar o céu a olho nu, com binóculos ou telescópios.
4 de outubro — Saturno em oposição
5 de outubro — Lua, Marte e o Presépio
6 de outubro — A Lua encontra Júpiter
7 de outubro — Lua e Régulo
8 e 9 de outubro — Dracônidas
10 de outubro — Lua Nova
12 de outubro — Mercúrio em maior elongação
13 de outubro — Vesta em oposição
14 de outubro — Lua e Antares
14 de outubro — Taurídeas do Sul
18 de outubro — Quarto Crescente
21 e 22 de outubro — Oriônidas
23 de outubro — Lua e Netuno
24 de outubro — Lua e Saturno
26 de outubro — Lua do Caçador
27 e 28 de outubro — Lua e Plêiades
28 de outubro — Lua e Urano
29 de outubro — Lua no perigeu
Como observar em Outubro de 2026
2 de outubro — Cometa 161P/Hartley–IRAS
Um dos alvos mais interessantes para quem possui um telescópio será o cometa 161P/Hartley–IRAS, que estará próximo de sua passagem mais favorável pela região interna do Sistema Solar e poderá ser acompanhado ao longo de outubro.
No início do mês, o cometa estará por volta da 12ª magnitude, portanto não será um objeto para observação a olho nu. Ele exige telescópio e um céu razoavelmente escuro, mas sua posição será interessante para astrofotografia e para observadores que gostam de acompanhar a evolução de cometas.
Outro cometa merece atenção no Hemisfério Sul: o 10P/Tempel 2. No começo de outubro, ele estará na região de Peixe Austral (Piscis Austrinus), próximo da direção de Fomalhaut, com brilho estimado em torno da 10ª magnitude. É um alvo telescópico, especialmente interessante para observadores do sul.
161P/Hartley–IRAS: telescópio e céu escuro; aproximadamente magnitude 11–12 durante o mês.
10P/Tempel 2: melhor no início do mês para o Hemisfério Sul; aproximadamente magnitude 10 no começo de outubro.
4 de outubro — Saturno em oposição
Saturno atingirá a oposição, uma das melhores configurações do ano para observar o planeta dos anéis.
Na oposição, a Terra fica aproximadamente entre o Sol e Saturno. Por isso, o planeta nasce próximo ao pôr do Sol, permanece visível durante grande parte da noite e alcança sua maior altura aproximadamente próximo da meia-noite.
No Brasil e em Portugal, Saturno será um dos principais alvos planetários das noites de outubro.
Saturno aparece como um ponto amarelado e relativamente estável, sem o forte cintilar característico das estrelas. Com um telescópio, seus anéis tornam-se imediatamente perceptíveis.
5 de outubro — Lua, Marte e o Presépio
Antes do amanhecer, a Lua minguante passará próxima de Marte e também do aglomerado do Presépio (M44), na constelação de Câncer.
Será uma bela composição para fotografar, especialmente com uma lente ou celular capaz de enquadrar uma área ampla do céu. Marte estará próximo do M44, preparando o cenário para sua passagem pelo aglomerado nos dias seguintes.
No Hemisfério Sul, procure os três elementos baixos no céu da manhã, em direção ao nordeste. Binóculos podem revelar o Presépio com muito mais facilidade.
6 de outubro — A Lua encontra Júpiter
Um dos encontros mais impressionantes do mês acontecerá antes do amanhecer. A Lua, em fase minguante e com aproximadamente 20% de iluminação, passará muito próxima de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar.
A aproximação máxima ocorrerá às 10:24 UTC, quando a separação geocêntrica será de aproximadamente 0°09'. Para o observador, porém, o horário e a separação exatos dependem da localização.
No Brasil, a aproximação será visível antes do amanhecer. Em São Paulo, por exemplo, Lua e Júpiter estarão separados por aproximadamente 1,2° por volta das 5h15, com ambos ainda acima do horizonte.
Em Lisboa, a melhor janela ocorre por volta das 7h10, quando os dois objetos estarão a aproximadamente 1,8° de distância aparente e a cerca de 46° acima do horizonte.
Brasil: procure a dupla no céu do nordeste antes do nascer do Sol. Em São Paulo, a observação começa aproximadamente às 3h55 e se encerra por volta das 5h15, quando o crepúsculo já estará avançando.
Portugal: a observação ocorre mais próxima do amanhecer. Em Lisboa, a janela favorável fica aproximadamente entre 4h15 e 7h10.
A ocultação de Júpiter
E aqui está a parte realmente especial: em algumas regiões do planeta, a Lua passará exatamente à frente de Júpiter, escondendo o planeta por trás de seu disco.
O fenômeno é chamado de ocultação lunar. O evento global acontecerá aproximadamente entre 08:14 e 12:32 UTC, mas os horários variam de acordo com a localização do observador.
A ocultação será observável em partes da América do Norte, México, Caribe e África. A faixa também alcançará algumas ilhas do Atlântico, incluindo os Açores, Madeira, Ilhas Selvagens e Canárias.
Brasil continental e Portugal continental ficam fora da faixa de ocultação. Nesses locais, veremos a impressionante aproximação entre a Lua e Júpiter, mas Júpiter não desaparecerá atrás da Lua.
Para quem estiver dentro da faixa de ocultação, o espetáculo será ainda mais interessante através de um telescópio: primeiro desaparecerão algumas das luas galileanas, seguidas pelo próprio Júpiter, que posteriormente reaparecerá pelo lado oposto da Lua.
7 de outubro — Lua e Régulo
Na manhã seguinte ao encontro com Júpiter, a Lua continuará sua passagem pelo céu e aparecerá próxima de Régulo, a estrela mais brilhante da constelação de Leão.
A aproximação será especialmente interessante para quem estiver acompanhando a sequência de encontros lunares dos dias 5, 6 e 7. Régulo poderá ser visto próximo ao fino crescente lunar antes do amanhecer.
8 e 9 de outubro — Dracônidas
As Dracônidas atingem seu máximo aproximadamente na noite de 8 para 9 de outubro.
Essa chuva de meteoros é produzida pelos fragmentos deixados pelo cometa 21P/Giacobini-Zinner. Normalmente é uma chuva modesta, mas possui um comportamento bastante irregular e já produziu explosões de atividade no passado.
Em 2026, a Lua estará muito próxima da fase Nova, o que significa pouca interferência do luar. Isso torna outubro deste ano particularmente interessante para tentar registrar algum meteoro mais brilhante.
No Brasil e em Portugal, procure um local escuro e observe principalmente o céu após o anoitecer. Não é necessário olhar diretamente para o radiante: quanto mais amplo for o campo de visão, maiores serão as chances de encontrar um meteoro.
10 de outubro — Lua Nova
A Lua Nova acontecerá em 10 de outubro e abrirá uma das melhores janelas do mês para observar objetos de céu profundo.
Com praticamente nenhuma luz lunar no céu, as noites ao redor da Lua Nova serão especialmente favoráveis para procurar aglomerados estelares, nebulosas e galáxias. Também será um ótimo período para fotografar a Via Láctea e acompanhar os cometas telescópicos do mês.
Se você puder sair da área urbana, as noites entre 8 e 12 de outubro estarão entre as melhores oportunidades de outubro para um céu realmente escuro.
11 de outubro — Marte atravessa o Presépio
Marte passará praticamente através do famoso aglomerado do Presépio (M44), na constelação de Câncer.
Será um dos encontros mais bonitos do mês para quem possui binóculos. O planeta avermelhado aparecerá entre as estrelas azuladas e esbranquiçadas do aglomerado.
O fenômeno será especialmente interessante nas horas que antecedem o amanhecer. Em céus escuros, o Presépio poderá ser percebido como uma pequena concentração de estrelas; com binóculos, a paisagem muda completamente.
12 de outubro — Mercúrio em maior elongação
Mercúrio alcançará sua maior elongação oriental, ficando aproximadamente 25° a leste do Sol.
Isso representa uma das melhores oportunidades do período para tentar localizar o pequeno planeta após o pôr do Sol.
Para observadores no Brasil, a geometria do céu do Hemisfério Sul favorece a observação de Mercúrio e também de Vênus próximo ao horizonte oeste.
A Lua passará próxima de Vênus e de Mercúrio, formando uma bela composição no céu crepuscular. Para fotografar, procure um horizonte oeste completamente desimpedido e comece a observação logo após o pôr do Sol.
Binóculos podem ajudar, mas devem ser usados somente quando o Sol já estiver completamente abaixo do horizonte.
13 de outubro — Vesta em oposição
O asteroide 4 Vesta atingirá a oposição, ficando especialmente favorável para observação durante a noite.
Vesta é um dos maiores objetos do cinturão principal de asteroides e poderá alcançar aproximadamente a 6ª magnitude, ficando no limite da visibilidade a olho nu sob um céu excepcionalmente escuro e sem poluição luminosa. Com binóculos, a procura se torna muito mais realista.
Para localizar Vesta com segurança, o ideal é utilizar uma carta celeste ou aplicativo de astronomia, pois ele se parece com uma estrela e muda lentamente de posição noite após noite.
14 de outubro — Lua e Antares
Uma fina Lua crescente passará muito perto de Antares, a brilhante estrela avermelhada que marca o coração da constelação de Escorpião.
No Brasil, a aproximação será especialmente bonita no início da noite. Em São Paulo, por exemplo, Lua e Antares estarão separados por cerca de 0°20' por volta das 19h47.
E há algo ainda mais raro: a Lua ocultará Antares em uma faixa do sul do Brasil. A estrela desaparecerá temporariamente atrás do disco lunar e depois reaparecerá.
A faixa de visibilidade inclui áreas do extremo sul do país, como Chuí, Santa Vitória do Palmar e Rio Grande. Os horários variam conforme a cidade, ocorrendo aproximadamente entre 19h15 e 19h45.
Para a maior parte do Brasil, será possível observar apenas a aproximação. Binóculos tornam a cena ainda mais interessante, especialmente porque o aglomerado globular M4 também fica próximo de Antares.
14 de outubro — Taurídeas do Sul
As Taurídeas do Sul atingem seu pequeno pico anual por volta de 14 de outubro. A atividade é modesta, com cerca de 5 meteoros por hora em condições ideais.
A chuva é associada aos detritos do cometa 2P/Encke. O grande atrativo das Taurídeas, porém, não é a quantidade: elas são conhecidas por produzir meteoros lentos e fireballs, bolas de fogo muito brilhantes que podem chamar atenção mesmo em áreas com alguma poluição luminosa.
As Taurídeas permanecem ativas por semanas, então não é necessário observar apenas na noite do pico.
18 de outubro — Quarto Crescente
A Lua alcançará o Quarto Crescente em 18 de outubro, marcando uma excelente fase para observação de crateras e montanhas lunares próximas ao terminador.
É uma das melhores fases para observar a Lua com pequenos telescópios e até celulares acoplados a uma luneta. O contraste entre as regiões iluminadas e a sombra torna o relevo lunar particularmente evidente.
Nesse período, Mercúrio também estará próximo de sua dicotomia, quando aproximadamente metade de seu disco estará iluminada.
21 e 22 de outubro — Oriônidas
A Terra atravessará novamente a trilha de partículas deixada pelo cometa Halley, produzindo a chuva de meteoros Oriônidas.
A atividade ocorre aproximadamente de 2 de outubro a 7 de novembro, com o pico na noite de 21 para 22 de outubro.
Sob um céu escuro, podem ser observados aproximadamente 10 a 20 meteoros por hora. Os meteoros são rápidos, atingindo a atmosfera a cerca de 66 km/s.
Em 2026, a Lua estará bastante iluminada durante o período do pico. Por isso, a melhor estratégia será observar depois da meia-noite e, principalmente, nas horas anteriores ao amanhecer, quando a Lua já tiver se afastado ou se posto.
23 de outubro — Lua e Netuno
A Lua passará próxima de Netuno, o planeta mais distante do Sistema Solar.
Netuno é muito fraco para ser visto a olho nu, mas a aproximação da Lua pode servir como referência para quem quiser tentar localizar o planeta com um telescópio. Como a Lua estará bastante iluminada, será uma observação mais difícil do que durante uma noite sem luar.
24 de outubro — Lua e Saturno
A Lua gibosa crescente passará novamente próxima de Saturno, criando uma boa oportunidade para fotografar os dois objetos no mesmo campo de visão.
A aproximação será especialmente interessante porque Saturno ainda estará muito bem posicionado após sua oposição no início do mês. A olho nu, os dois astros formarão um par bastante fácil de identificar.
26 de outubro — Lua do Caçador
A Lua alcançará a fase Cheia em 26 de outubro, tradicionalmente conhecida como Lua do Caçador.
O momento da Lua Cheia acontecerá no início do dia no horário de Brasília, mas a noite de 25 para 26 de outubro também será excelente para observar o disco lunar surgindo próximo ao horizonte leste.
A Lua Cheia iluminará fortemente o céu, dificultando a observação de objetos de céu profundo e meteoros mais fracos. Em compensação, será uma ótima oportunidade para fotografar a paisagem lunar, especialmente durante o nascer da Lua.
27 e 28 de outubro — Lua e as Plêiades
No fim do mês, a Lua passará próxima das Plêiades (M45), o famoso aglomerado estelar conhecido como Sete Irmãs.
O encontro poderá ser observado durante a noite, olhando para o leste. As Plêiades são visíveis a olho nu como uma pequena concentração de estrelas, mas binóculos revelam uma quantidade muito maior de componentes.
A aproximação máxima ocorrerá na noite de 27 para 28 de outubro, quando a distância aparente entre a Lua e o aglomerado será de aproximadamente 1°. Será uma excelente oportunidade para fotografia e observação com binóculos.
28 de outubro — Lua e Urano
Na mesma região do céu, a Lua também passará próxima de Urano, criando um desafio interessante para observadores com binóculos ou telescópios.
Urano estará por volta da 5ª a 6ª magnitude, mas a forte iluminação da Lua tornará difícil identificá-lo a olho nu. A proximidade das Plêiades, por outro lado, oferece referências excelentes para se orientar na região de Touro.
29 de outubro — Lua no perigeu
No fim do mês, a Lua voltará a se aproximar da Terra, passando pelo perigeu.
A diferença de tamanho aparente da Lua ao longo de sua órbita é pequena para o olho humano, mas pode ser interessante para quem acompanha o ciclo lunar e para fotógrafos que desejam comparar imagens feitas em diferentes distâncias.
Outros alvos interessantes durante outubro
| Alvo | O que observar |
|---|---|
| Andrômeda (M31) | Uma das galáxias mais fáceis de localizar no céu noturno, especialmente longe das luzes da cidade. |
| Triângulo (M33) | Galáxia difícil sob céu urbano, mas um excelente desafio para binóculos e telescópios em locais escuros. |
| Órion | A constelação começa a ganhar destaque nas madrugadas, com a Nebulosa de Órion (M42) cada vez melhor posicionada. |
| Fomalhaut | Estrela brilhante do Peixe Austral e uma boa referência para procurar o cometa 10P/Tempel 2 no início do mês. |
| M4 | Aglomerado globular próximo de Antares, especialmente interessante durante a aproximação da Lua em 14 de outubro. |
Como observar em Outubro de 2026
🌌 Céu escuro: para meteoros, cometas e objetos de céu profundo, afaste-se o máximo possível da iluminação urbana.
🔭 Binóculos: serão especialmente úteis para as Plêiades, M44, Vesta, cometas e para acompanhar os encontros entre Lua e planetas.
📱 Celular: use um tripé ou algum apoio firme. Para a Lua, reduza a exposição para preservar os detalhes da superfície.
👁️ Adaptação visual: depois de alguns minutos longe de luzes fortes, seus olhos começam a revelar muito mais estrelas.
☄️ Cometas: não espere ver uma cauda evidente no telescópio. Muitos cometas de magnitude 10–12 aparecem como pequenas manchas difusas e exigem comparação com uma carta celeste.
☀️ Atenção: nunca utilize binóculos ou telescópios para procurar objetos próximos ao Sol enquanto ele estiver acima do horizonte.
Um Outubro para olhar para cima
Outubro de 2026 reúne uma das agendas mais interessantes do segundo semestre. Saturno estará em oposição; Marte atravessará o Presépio; as Dracônidas e Oriônidas estarão ativas; Vesta chegará à oposição; a Lua passará por Júpiter, Antares, Saturno, Urano e pelas Plêiades; e dois cometas oferecerão alvos para quem possui instrumentos ópticos.
No Brasil, alguns momentos merecem atenção especial: a madrugada de 6 de outubro, com a Lua e Júpiter; a aproximação da Lua com Antares em 14 de outubro e sua ocultação no extremo sul do país; a Lua do Caçador em 26 de outubro; e a passagem pelas Plêiades nos dias 27 e 28.
Também será um mês excelente para simplesmente sair e olhar para o céu. Nem todo fenômeno precisa ser raro ou espetacular para ser especial. Às vezes, uma Lua crescente perto de uma estrela, um meteoro inesperado ou uma pequena mancha difusa no telescópio já é suficiente para lembrar que existe um universo inteiro acima de nós.
O céu é o mesmo. A perspectiva é que muda.
Boa observação! 🌌🔭✨
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