Uma descoberta divulgada em outubro de 2026 está chamando a atenção da comunidade astronômica: a anã branca WD J1330+6435 a cerca de 326 anos-luz da Terra é apontada como a primeira estrela identificada com evidências convincentes de uma possível coloração verde. O resultado revela como os restos de sistemas planetários podem modificar a aparência de estrelas mesmo depois de sua morte.

Representação artística de uma estrela com tonalidade verde
Representação artística de uma estrela esverdeada, não uma fotografia direta da anã branca. Crédito: Robert Lea / Space.com, imagem criada com Canva
WD J1330+6435Identificação do astro
326 anos-luzDistância aproximada
SódioElemento importante para explicar a cor

1. O que é um zumbi cósmico?

A expressão “zumbi cósmico” é uma maneira informal de descrever uma estrela que já encerrou sua fase principal, mas continua passando por processos físicos interessantes. Nesse caso, trata-se de uma anã branca, o núcleo extremamente compacto que permanece após uma estrela de massa baixa ou intermediária expulsar suas camadas externas.

Embora não mantenha a fusão nuclear estável que sustentava sua antiga fase, a anã branca continua emitindo calor e pode interagir com os objetos que restaram ao seu redor. Asteroides, fragmentos rochosos e outros corpos podem ser desviados de suas órbitas e destruídos pela intensa gravidade do remanescente.

Parte desse material pode acabar incorporada à atmosfera da estrela. É como se ela continuasse consumindo os restos de seu antigo sistema planetário, daí a comparação com um zumbi que volta a se alimentar.

2. Como uma estrela pode ficar verde?

A WD J1330+6435 apresenta sinais de material rochoso incorporado à sua atmosfera, incluindo elementos como cálcio, lítio e sódio. Os modelos estudados pelos pesquisadores indicam que essa composição pode explicar a tonalidade verde atribuída ao objeto.

Simulação das cores de anãs brancas com diferentes composições químicas
Simulações de possíveis cores de anãs brancas conforme suas propriedades físicas e químicas. Crédito: Mark Hollands / Universidade de Warwick

O sódio é uma peça importante dessa explicação. Em condições extremas, a interação entre seus átomos e o ambiente denso, rico em hélio, pode alterar a maneira como a luz é absorvida. O modelo sugere que determinadas faixas do espectro visível, especialmente nas regiões amarela, laranja e vermelha, podem ser reduzidas, favorecendo uma aparência esverdeada.

Isso demonstra que a cor de uma estrela não depende exclusivamente de sua temperatura. A composição química e as condições da atmosfera também podem influenciar o espectro luminoso.

Uma distinção importante

A cor verde é uma interpretação baseada em dados e modelos espectrais. As ilustrações publicadas não são fotografias diretas da estrela mostrando sua aparência em cores naturais.

3. Um universo de cores incomuns

A pesquisa analisou uma amostra de 151 anãs brancas próximas e investigou como diferentes composições atmosféricas podem produzir aparências incomuns. Além do verde, os modelos contemplam tonalidades azuladas, ciano, amarelas, rosadas e arroxeadas.

Um segundo objeto chama a atenção: a anã branca WD J1011+2845, situada a aproximadamente 48 anos-luz. Ela foi apontada como candidata a uma das anãs brancas mais avermelhadas conhecidas. Nesse caso, a presença de carbono e a formação de moléculas contendo esse elemento podem modificar a luz que emerge de sua atmosfera.

Representação artística de uma anã branca
Ilustração conceitual de uma anã branca. Não é uma fotografia direta de WD J1011+2845. Crédito: Mark A. Garlick / Universidade de Warwick, via Space.com

Segundo a pesquisa, apenas uma pequena parcela das anãs brancas apresenta cores consideradas extraordinárias: a estimativa é de aproximadamente uma em cada 30. A maioria continua apresentando a aparência branca ou azulada esperada de acordo com suas propriedades.

4. O Sol também poderá se tornar um zumbi cósmico?

Daqui a aproximadamente cinco bilhões de anos, o Sol deverá evoluir para a fase de gigante vermelha, perder suas camadas externas e deixar para trás uma anã branca. Esse remanescente continuará esfriando durante bilhões de anos.

Se fragmentos de corpos planetários forem posteriormente incorporados à sua atmosfera, a composição química do remanescente poderá mudar. Em condições adequadas, isso poderia alterar sua aparência e suas características espectrais.

A descoberta também tem implicações para o estudo de sistemas planetários. Os elementos encontrados na atmosfera de uma anã branca podem conservar pistas sobre corpos rochosos que foram destruídos, permitindo investigar a composição de materiais de sistemas planetários distantes.

5. Fontes e referências

  1. Space.com — Robert Lea. “Astronomers discover the 1st ever green star, a cosmic zombie just in time for Halloween”, 15 de outubro de 2026.
    Ler a reportagem original
  2. RAS Techniques and Instruments — revista científica na qual o estudo foi publicado.
    Consultar a revista
  3. Universidade de Warwick — instituição associada aos pesquisadores envolvidos.
    Departamento de Física